BACK UP DO ARMAZÉM!


 HISTÓRIAS DE HISTÓRICOS: FATOS

O MASSACRE DE SABRA E SHATILA

 

 

 

Após o holocausto causado pelos nazistas, reforçou-se a idéia do movimento sionista, que pregava a idéia de que os judeus deveriam possuir um Estado nacional. Partindo daí, fundou-se em 1948, na Palestina, que era governada pelos ingleses, o Estado de Israel. Tal idéia de criação desse Estado data desde 1922, mas não como um Estado soberano. Para os judeus, a Palestina é a terra prometida, contudo, a região já era ocupada por povos de cultura e tradição tão antigas quanto à dos recém-chegados, que não viram com bons olhos a invasão de seu território, e em sua grande maioria são formados, até hoje, por pobres e analfabetos. Em 1948, após a proclamação do Estado de Israel, os ingleses se retiraram e, imediatamente Israel foi atacado pelo Egito, o Iraque, a Jordânia, o Líbano e a Síria, que foram derrotados em poucos meses. Após tal derrota milhares de palestinos tiveram que abandonar a região e foram exilados. Assim nasce outro drama: o dos refugiados palestinos.

O Líbano, que sempre despertou interesse entre os sionistas, foi invadido por Israel em 1982. Com a invasão, a responsabilidade pela proteção e integridade dos civis libaneses passou a ser de Israel e grande parte dos refugiados palestinos foi concentrada nos campos de Sabra e de Shatila, na periferia de Beirute.  O Ministro da Defesa de Israel, na época, era Ariel Sharon.

 

 

Fotografia que captura o local pouco tempo depois do massacre

 

Na noite de 16 para 17 de setembro de 1982, milicianos cristãos maronitas, contrários às massas árabes muçulmanas e que haviam feito aliança com Israel, invadiram os campos de Sabra e de Shatila e massacraram milhares de pessoas, sendo que no início do massacre a maioria foi morta a facadas, silenciosamente. Tal incidente durou por volta de 40 horas e, dependendo da fonte de informação, estimasse que o número de mortos varie entre 800 a 3.500 pessoas. As primeiras notícias do massacre causaram uma onda de indignação mundial e tropas da ONU foram encaminhadas para Beirute, com o fim de proteger os campos de refugiados. Ariel Sharon negou qualquer envolvimento israelense com o fato, contudo, foi demitido do cargo de Ministro da Defesa na época. Até hoje paira a dúvida se os israelenses estão diretamente ligados ao fato ou não, o que não deixa dúvida é que se tratou de um ato terrorista de extrema covardia contra civis, merecendo um julgamento como crime de guerra.

 

Marcelo



Escrito por Marcelo às 02h36
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ARQUIVO DE SHOWS (MEMÓRIAS)

CHUCK BERRY – OLYMPIA – SP (1994 ou 1995)

 

 

 

Não me recordo bem se era 1994 ou 1995 quando Chuck Berry fez uma memorável apresentação na antiga casa de shows Olympia, em São Paulo. Nesse período eu costumava ir sozinho a alguns shows e me recordo que nesse, especificamente, fiz algo que não era de minha rotina: locomover-me até o local do espetáculo sem ter comprado ingresso!

Devido a tal fato fui para o Olympia com certa antecedência, na esperança de conseguir comprar ingresso antes do início do show. Quando cheguei fiquei sabendo que os tickets já haviam se esgotado. Confesso que fui tomado por uma profunda decepção, já que realmente estava com uma imensa vontade de ver Chuck Berry. A fila para a entrada já se formara e eu não conseguia ir embora, tamanho o meu desejo de assistir a apresentação. Fiquei circulando para lá e para cá, pensei em procurar algum cambista, mas a “grana” estava contada e eu não teria condições de pagar muito mais caro. Num determinado momento, um rapaz que estava “meio perdido” também, se aproximou e me perguntou se eu não tinha interesse em comprar um ingresso seu, já que sua namorada não tinha aparecido, e ainda ofereceu-o pelo mesmo preço da bilheteria (imagino que ele deveria estar com muita raiva!). Não tive dúvidas, nem sequer pensei no fato de o ingresso não ser verdadeiro, comprei e me encaminhei para a fila de entrada. O ingresso era verdadeiro. Lá estava eu na presença de um dos precursores do Rock ‘n’ Roll, contemporâneo de Elvis Presley, Gene Vincent, Little Richard e Buddy Holly, entre outros. Chuck Berry fez uma apresentação de apenas uma hora, porém, tempo suficiente para tocar todos os seus clássicos, como por exemplo, “Sweet Little Sixteen”, “Johnny Be Good” e “Roll Over Beethoven”. Numa certa altura do show, o músico, como já havia feito anteriormente em outras apresentações, convidou algumas jovens da primeira fila para dançarem junto à ele em cima do palco, transformando-o numa imensa festa do mais puro Rock ‘n’ Roll. Foi uma apresentação memorável, não só pelo fato de estar na presença de uma lenda viva da história da música, mas também pela diversão e alegria que seu espetáculo proporcionou a todos os presentes. Das dezenas de shows que já presenciei, esse guardo com carinho em minha memória, pois tive a oportunidade de vivenciar (ou ter uma idéia) de como era o Rock em seu início e o que ele transmitia para as pessoas.  Foi sensacional!!

 

Marcelo



Escrito por Marcelo às 22h55
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HUMOR




Escrito por Marcelo às 22h54
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LANÇAMENTO COMENTADO

GUNS N’ ROSES – CHINESE DEMOCRACY (2008)

 

 

 

Após uma longa espera de 15 anos, finalmente o Guns n’ Roses lança um álbum de músicas inéditas. Partes de Chinese Democracy já podiam ser apreciadas há um bom tempo em versões-demo disponibilizadas na Internet, como por exemplo, as faixas “Better” e “IRS”, porém, elas sozinhas não demonstram exatamente o conteúdo do álbum, já que podem ser, juntamente com “Chinese Democracy” e “Shackler’s Revenge”, classificadas como as que possuem uma sonoridade mais “moderna”, às vezes até flertando com o rock industrial, remetendo a Nine Inch Nails, não se parecendo em nada com o som produzido pela banda no passado. Por outro lado, faixas como “This I Love”, “Sorry”, “Madagascar”, “There Was a Time” e “Prostitute”, fazem relembrar a fase em que o grupo era um verdadeiro gigante que caminhava sobre a terra. Logicamente as guitarras de Slash fazem muita falta, mas há no disco belos solos e arranjos desse instrumento e a banda que acompanha Axl Rose desempenha bem seu papel. Se valeu ou não a pena esperar, cada um que tire suas conclusões, mas de qualquer forma o lançamento de Chinese Democracy conseguiu mexer com o mundo da música, algo relevante para uma banda considerada morta há mais de uma década. Resumo da ópera: trata-se do encontro do velho com o novo, há momentos bem diferentes no trabalho e para aqueles que gostam de Guns n’ Roses, a audição de Chinese Democracy tende a ser bem agradável, desde que comparações sejam postas de lado.

 

Marcelo



Escrito por Marcelo às 22h54
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CLÁSSICO AO VIVO

CONCERT: THE CURE LIVE (1984)

 

 

 

Primeiro álbum gravado ao vivo pelo grupo The Cure, durante a turnê inglesa do disco The Top, Concert apresenta um repertório de primeiríssima qualidade. Nele estão reunidos grandes clássicos, sendo que as versões das músicas apresentadas foram executadas de uma forma mais “crua” pela banda, o que o torna bastante interessante. Sua capa está entre minhas preferidas, e me recordo de tê-la desenhado algumas vezes. The Cure, sem a menor sombra de dúvida, é uma banda especial e possui uma discografia altamente recomendável, incluindo outros bons discos ao vivo, porém, Concert possui toda uma aura especial, já que captura a banda na parte inicial de sua carreira, fase de extrema inspiração.

 

Faixas: Shake Dog Shake – Primary – Charlotte Sometimes – The Hanging Garden – Give Me It – The Walk – One Hundred Years – A Forest – 10:15 Saturday Night – Killing An Arab

 

Marcelo




Escrito por Marcelo às 22h54
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CINEMA & VÍDEO

O PIANISTA (LE PIANISTE) – 2002

 

 

 

O filme retrata a saga do pianista Wladyslaw Szpilman durante a Segunda Guerra Mundial e todo seu sofrimento para sobreviver à investida nazista sobre a Polônia, refugiando-se em prédios abandonados pela cidade, além do surgimento do Gueto de Varsóvia. Apesar de tratar-se de um filme sobre guerra, as grandes batalhas não são o foco principal da trama, onde o diretor Roman Polanski opta por mostrar as angústias dos poloneses, vítimas das insanidades do exército alemão. Torna-se bastante interessante e emocionante acompanhar o desenrolar da história desse ponto de vista, e assim ter uma pequena noção do sofrimento de civis durante os anos de chumbo. O filme foi premiado com 3 Oscars: Melhor Diretor - Roman Polanski, Melhor Ator - Adrien Brody  e Melhor Roteiro Adaptado. O Pianista pode ser considerado como um dos grandes filmes já produzidos sobre o tema.

 

Cena do filme que rendeu o Oscar ao ator Adrien Brody

 

Marcelo



Escrito por Marcelo às 22h54
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MÚSICO EM DESTAQUE – BILLY DUFFY

 

 

 

William Henry Duffy, ou Billy Duffy (Inglaterra, 12/05/1961), é membro da banda The Cult. No início de sua carreira tocou ao lado de Morrissey, ex-vocalista do sensacional grupo The Smiths. Após se juntar a Ian Astbury, levou o The Cult às paradas de sucesso ao redor do planeta, tornando-se um guitarrista bem conceituado entre várias vertentes da música. Billy demonstra sua capacidade desde a fase em que o Cult soava mais como um grupo gótico até a fase mais hard rock / heavy metal, com vários riffs marcantes de fácil reconhecimento por parte de seus seguidores. Particularmente, sua fase gótica é a que mais me agrada, além de seu enorme talento como violonista, não muito explorado nos discos de carreira do The Cult, mas que pode ser conferido nas versões acústicas das músicas lançadas no box Rare Cult, uma excelente compilação de raridades da banda. Billy Duffy fez diversas aparições ao lado de renomados artistas, tais como David Bowie, Duran Duran, INXS e Billy Idol. Um músico talentoso que figura entre meus preferidos!

 

Marcelo 



Escrito por Marcelo às 22h53
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MUSAS DO ARMAZÉM!

 

 

 

PAULA TOLLER AMORA (23/08/1962), cantora e compositora, possui uma sólida e premiada carreira musical junto ao grupo Kid Abelha, onde já gravou mais de 16 álbuns. Atualmente cuida de seu trabalho solo, que conta com dois discos lançados (1998 e 2007) e finaliza seu primeiro DVD oficial. Musa de minha geração, doce (como seu sobrenome diz), talentosa e inteligente, é uma mulher e artista que sempre contou e conta com minha profunda admiração!

 

Marcelo (Com ela, eu iria até para o Afeganistão!)



Escrito por Marcelo às 22h53
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CRAQUE DA BOLA - MÜLLER

 

 

 

Luis Antonio Corrêa da Costa, o Muller (31/01/1966), obteve grande destaque no cenário do futebol mundial nas décadas de 80 e 90. Atuou nos cinco grandes clubes paulistas: São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Portuguesa e Santos, além de Cruzeiro – MG, Torino da Itália e uma breve passagem pelo Japão. Contudo, o jogador está relacionado de forma mais intensa com o São Paulo Futebol Clube, onde conquistou seus principais títulos.  

Muller sempre foi presença marcante nos times em que atuou, tendo inclusive, participado de três Copas do Mundo1986, 1990 e 1994, sendo Campeão Mundial nesta última.

Além de sua histórica participação nos títulos Brasileiros, Sul-americanos e Mundiais conquistados pelo São Paulo, Muller fez parte do badalado ataque dos 100 gols, conquistando o título Paulista de 1996, pela Sociedade Esportiva Palmeiras.  Sem dúvida alguma, Muller fez parte de uma geração de jogadores que deixou saudades, onde grandes nomes defendiam as cores dos clubes nacionais e faziam história, diferentemente do que ocorre atualmente, onde “Patos” da vida deixam a nação em busca de incalculáveis fortunas sem terem escrito seus nomes de forma real e contundente junto aos clubes que defenderam.  Hoje é comentarista esportivo na Sport TV. Marcou mais de 220 gols em sua carreira.

 

 

 

Principais títulos:

 

Campeonato Paulista: 1985, 1987, 1991, 1992, pelo São Paulo e 1996 pelo Palmeiras

Campeonato Brasileiro: 1986, 1991, pelo São Paulo

Copa Libertadores da América: 1992, 1993, pelo São Paulo

Mundial Interclubes: 1992, 1993, pelo São Paulo

Copa do Brasil: 2000, pelo Cruzeiro

Copa da Itália: 1989, 1990, pelo Torino

Copa do Mundo: 1994

 

Até o próximo - Marcelo  



Escrito por Marcelo às 22h53
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LENDAS, MITOS E AFINS

 

O BARQUEIRO DA MORTE

 

 

 

Os gregos e romanos da antiguidade acreditavam que as almas dos mortos deveriam fazer a travessia do Aqueronte, rio transformado por Zeus em infernal, após suas águas terem sido fornecidas aos titãs, seus inimigos, pelo filho do Sol e da Terra.

Caronte, um deus idoso, mas imortal, era o responsável pela travessia das almas dos falecidos para a outra margem do rio Aqueronte, local onde lhes era destinado, porém, somente transportava as almas dos mortos cujos corpos tivessem sido devidamente sepultados e os vivos lhes prestado as devidas homenagens fúnebres. O barqueiro da morte cobrava pela travessia, partindo daí o costume de tais povos antigos enterrarem ou cremarem seus entes com uma moeda (óbolo) debaixo de suas línguas ou sobre seus olhos.

Os mortos que não pudessem pagar pela travessia eram condenados a vagar pela margem do rio por um período de cem anos e acreditava-se que durante o citado período assombrariam o mundo dos vivos. Aos supersticiosos, não custa nada solicitar a seus parentes que deixem uma “moedinha” junto aos seus restos mortais, vai saber se ela não será necessária...

 

 Marcelo




Escrito por Marcelo às 22h53
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HUMOR

 

 

(conheci essas "figurinhas" através do blog http://vampiiiria.zip.net)



Escrito por Marcelo às 22h53
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O TEMPO NÃO PÁRA...

 

O privilégio de envelhecer. A oportunidade de viver uma vida junto à arte. Uma homenagem a alguns artistas que desde sempre fizeram parte de minha história musical.

 

 

 

Ordem: Angus Young, Robert Plant, Bono Vox, Paul Stanley, Ronnie Dio, Eddie Van Halen, Jimi Page, Madonna, Morrissey, Roby Krieger, Ian Gillan, Robert Fripp, Stewart Copeland.

 

Marcelo (um eterno apaixonado pela música!)  



Escrito por Marcelo às 22h52
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DISCOTECA BÁSICA – BOB DYLAN – DESIRE (1976)

 

 

 

Considero Desire um disco extremamente importante na carreira de Bob Dylan, e o que mais me identifico. Sua extensa obra musical proporciona vários trabalhos que podem (e devem) ser considerados como essenciais, mas um artista como Dylan tem o dom de influenciar o gosto musical de cada um de formas diferenciadas. Acredito que muitos citariam, por exemplo, Highway 61 Revisited ou Blonde on Blonde como fundamentais, e realmente são, porém minha citada identificação com Desire foi imediata. Faixas como “Hurricane”, “One More Cup of Coffee” e “Sara”, desde que as conheci, sempre estão presentes em momentos em que desejo ouvir boa música, ou simplesmente “viajar entorpecido” por algumas cervejas, e sempre me emocionam. Em minha opinião, Bob Dylan é um artista que tem que ser descoberto sem pressa, de nada adianta tentar compreendê-lo de uma só vez, e Desire deve fazer parte desse aprendizado.

 

Faixas: Hurricane – Ísis – Mozambique - One More Cup of Coffee - Oh, Sister – Joey - Romence in Durango - Black Diamond Bay - Sara.

 

Marcelo  



Escrito por Marcelo às 22h52
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GALERIA DAS ARTES

O PENSADOR (LE PENSEUR) – 1880

 

 

 

Uma das mais famosas esculturas do francês AUGUSTE RODIN (1840/1917). É confeccionada em bronze e retrata um homem em profunda meditação. Originalmente se chamava O Poeta, e foi concebida com a intenção de representar Dante Alighieri, escritor do poema A Divina Comédia, em frente aos Portões do Inferno, uma das passagens do referido poema. Existem mais de vinte cópias autorizadas espalhadas ao redor do mundo, inclusive uma no Instituto Ricardo Brennand, localizado em Recife-PE. A estátua original (que vemos na foto) faz parte do acervo do Museu Rodin, localizado em Paris, na França, e está exposta em seus jardins.

 

Até a próxima - Marcelo   



Escrito por Marcelo às 22h51
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HISTÓRIAS DE HISTÓRICOS

VIRGULINO FERREIRA DA SILVA – O LAMPIÃO

 

 

 

Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1897/1938), nasceu em Serra Talhada, no sertão pernambucano. Filho de uma família de oito irmãos, desde criança demonstrava ser um excelente vaqueiro, cuidando dos animais de sua propriedade, além de trabalhar com artesanato em couro. Na adolescência, após uma discussão com vizinhos, Virgulino envolveu-se em crimes, furtando a família rival. Tal rixa culminou na perseguição dele e de seus irmãos Levino e Antonio por parte da polícia local, oportunidade em que seu pai, José Ferreira da Silva, homem pacífico e tranqüilo, foi morto por policiais, fazendo com que ele jurasse vingança.

 

Por volta de 1920, com tal objetivo de vingança, alistou-se no bando do cangaceiro Sinhô Pereira. Após alguns anos Sinhô Pereira delegou o comando do bando para Virgulino, o Lampião.

 

Lampião roubava comerciantes e fazendeiros, sempre distribuindo parte de seus saques para a população pobre da região. Sua fama e vida de crimes o levaram a ser o criminoso mais procurado do País. Há relatos de que Lampião e seu bando eram homens de extrema violência, seqüestravam crianças, ateavam fogo em fazendas, exterminavam rebanhos, estupravam, marcavam rostos com ferro quente. Uma das histórias que envolvem a lenda foi o fato dele ter obrigado um de seus próprios homens a comer um quilo de sal antes de fuzilá-lo. Tais atos ou lendas lhe renderam o apelido de “O Rei do Cangaço”. Todos os integrantes do bando de Lampião possuíam apelidos curiosos, tais como Meia Noite, Carcará, Quinta-Feira, Mergulhão, Cajarana, Diferente, Cabeleira, além de Corisco – o diabo loiro, um dos mais famosos.

 

 

O bando de cangaceiros

 

Em 1926, quando se encontrava no estado do Ceará, devido à sua comprovada fama de estrategista, foi convidado pelo próprio Padre Cícero a combater a Coluna Prestes, marcha de militares rebelados.  Em troca, Lampião receberia a anistia do governo e o posto de Capitão dos Batalhões Patrióticos, que combatiam os revolucionários da Coluna. Durante sua perseguição à Coluna Prestes, ao chegar ao estado do Pernambuco, foi novamente perseguido pelas volantes (polícia), fato que o fez perceber que nem a anistia nem a patente eram oficiais, voltando, assim, ao banditismo e passando a atuar nos estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará.

 

Durante uma de suas inúmeras fugas, atravessou o Rio São Francisco e, após reestruturar seu bando no estado da Bahia, passou a agir, além da Bahia, em Sergipe e Alagoas.

 

Por volta de 1930/1931, conheceu Maria Déia, que apaixonada por ele, se juntou ao cangaço e ficou conhecida como Maria Bonita. Após isso, várias outras mulheres se juntaram ao bando de cangaceiros. Com Maria Bonita, Lampião teve uma filha chamada Expedita Maria Bonita.

 

Lampião e Maria Bonita, personagens da cultura nordestina e nacional.

 

Na manhã do dia 28/07/1938, enquanto se preparavam para levantar, Lampião, seus homens e as mulheres que os acompanhavam foram mortos em uma emboscada preparada pelos policiais do Tenente João Bezerra. A volante alagoana, composta por 48 policiais, chegou de surpresa e liquidou os cangaceiros sem maiores dificuldades, pegando-os totalmente desprevenidos. Lampião estava acampado na Fazenda Angicos, situada em Sergipe e considerada por ele um local de total segurança. Até hoje não se sabe ao certo quem o traiu.

 

Lampião, Maria Bonita (que ainda estava viva) e mais nove cangaceiros tiveram suas cabeças decepadas e expostas em vários locais do País. Na cidade de Piranhas foram fotografadas juntamente com as armas e apetrechos dos cangaceiros. Seguiram para Maceió, Sul do Brasil e finalmente Salvador, na Bahia, onde ficaram expostas no Museu Nina Rodrigues por mais de três décadas.

 

 

A macabra exposição dos restos mortais de parte do bando de Lampião

 

O cangaço teve seu fim no ano de 1940, após a morte de Corisco – o diabo loiro, que também teve sua cabeça exposta no referido museu em Salvador.

 

Durante muitos anos, as famílias de Lampião, de Maria bonita e de Corisco lutaram para sepultar seus restos mortais. O enterro somente aconteceu depois do Projeto Lei nº 2867, de 24/05/1965 e das pressões do povo brasileiro. As cabeças de Virgulino e de Maria Bonita foram finalmente sepultadas em 06/02/1969. Os demais tiveram seus enterros uma semana depois.

 

Algumas lendas explicam seu apelido, como por exemplo, o fato do cano de seu rifle, ao ser utilizado, lembrar a luz de um lampião, ou ainda, dele ter iluminado um determinado ambiente a tiros para que um de seus companheiros localizasse um cigarro perdido.

 

Lampião é considerado por muitos como um bandido sanguinário e por outros muitos como um verdadeiro herói. Fato é que acontecimentos, mitos e lendas que envolvem sua história e a história de seu bando fazem dele parte importante de nossa cultura e por isso não pode ser esquecido.



Escrito por Marcelo às 22h51
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